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Palimpsestos


Manuscrito em pergaminho que, na Idade Média, após ser raspado e polido, era novamente aproveitado para a escrita de outros textos, o palimpsesto se faz muito presente, de maneira prática, na arte contemporânea. É o que ocorre sempre que existe a retirada de algum material, com as mais diversas técnicas, e uma sobreposição, das formas mais variadas, de elementos visuais ou escritos. Este projeto pode ser visto como um órfico de iniciação. Trata-se de um percurso pela existência, um jogo pela passagem do tempo de modo a atingir o observador com sutis assertivas em que o esquecimento e o apagamento de lembranças se dão no universo urbano.

A proposta é criar imagens que apresentem elementos que ainda carreguem, em seu resultado final, marcas do que foi resgatado e pela ação material sobre eles. O conceito é recuperar, tanto no movimento, na forma como na cor, entre outras dimensões, aspectos de diálogos, em diversas esferas, tanto a interior de cada artista como a de elos com a sociedade, com a natureza e com o universo. Percorrer essa jornada é atravessar o mar de um ontem que se torna presente a todo instante. Sonhos de paz se mesclam com fraturas entre o vivido e o imaginado que estão além de momentos históricos, idade ou foco da narrativa visual proposta. Cada obra funciona assim como uma fotografia de instantes filosóficos e artísticos.

Os melhores momentos talvez sejam os que criam imagens mentais de silêncio. O conjunto ganha a dimensão órfica de um ritual de passagem que leva a um voo fugaz para um sutil e misterioso destino incerto. A atmosfera criada é a de uma espécie de cômoda fechada sem chave. Isso permite que cada um se veja como um dissonante carrossel que serve como refúgio. Se há ruido, existe também silêncio, pois o resultado evoca um caminhar por uma rua sem luz em que não se sabe o que está à espera e à espreita.

A existência passa a ser vista como um universo de vertigem, um permanente recomeço regido pela imperfeição dos palimpsestos e dos apagamentos. Nesse processo de resgate do passado, talvez a luz esteja em perceber que, na vida, é ilusório pensar em iniciantes ou iniciados. Todes são integrantes de um tácito pacto que dá continuidade ao fluxo da história.

Oscar D’Ambrosio
@oscardambrosioinsta
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista, crítico de arte e curador

artistas participantes
Patrícia Buzzini
Eliara Bevilacqua
Jane Arroyo
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DE 6 DE NOVEMBRO A 5 DE DEZEMBRO DE 2025.

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